Doce Amargo



O bilhete

Chovia, a cidade inteira estava acinzentada e não havia ninguém mais lânguido que ele, lendo aquele bilhete escrito em papel amarelado com aquela letra impecavelmente redonda:

Eu te amei, com todas as células do meu corpo, até com o cabelo estragado de que eu tanto reclamo. Amei o cheiro do teu hálito, do tempero da tua comida e o olor que emanava da tua pele macia. Amei teus sapatos estranhos e tuas bermudas surradas. Amei o óculos esquisito que tu teimavas em usar. Amei tuas manias esquisitas, seu ódio ao refrigerante e sua fascinação por filme em preto e branco. Te amei até quando tu me odiavas, quando eu fazia de tudo para que me deixasse ir, te amava cada vez mais. Até que o amor tomou conta de mim e eu decidi retomar minha vida. Preciso ir, é tarde. Preciso viver. Quando leres isso, estarei longe, peço que não me procure.
Da sempre sua.

C.

E ele, com lágrimas nos olhos, iguais às gotas de chuva que batiam incessantemente na janela, pensava o quanto tinha sido idiota. Só conseguia pronunciar uma única frase: Eu também te amei.

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