Doce Amargo


Limite

Depois de muito bater com a cabeça na parede, de pensar e relutar, engolir orgulho, sentimentos e respeito próprio decidiu que o fim estava próximo. Já doía antecipadamente e iria doer muito mais, afinal, separações não são fáceis e um dos lados sempre sai magoado, mas um relacionamento não pode ser levado apenas com a barriga. O amor acabou e a obrigação de sustentar a relação estava sendo pesada demais.
Havia atingido o fundo do poço, o fim, o limite, onde não existia mais esperança, luz ou sonhos, a escuridão era assustadoramente triste.
Tornara-se apática, sem vida e vigor, apenas um corpo que fingia sorrir quando havia grito, rancor e tristeza engasgado na garganta e presos no coração.
Aquilo havia de acabar e já tinha hora e data marcadas pra isso, bastava chegar a coragem pra desfazer-se os laços definitivamente.
Nunca fora boa em desatar nós…


Das pequenas descobertas

Esses dias no twitter um amigo comentou que os pais tinham ido pela primeira vez juntos (e na vida) ao cinema, depois de 25 anos de casados e depois de interjeições fofas e comentários carinhosos sobre o ocorrido me peguei pensando o quanto a gente não dá valor à algumas coisas na vida que temos corriqueiramente e que pra outros é um mundo tão novo, diferente e inovador.
Creio que essa sensação seja a de pela primeira vez conhecer o mar, pisar na areia e sentir aquela água salgada molhando a pele seca e refrescando-a imediatamente, sensação que pra mim é quase como que intrínseca à minha realidade, natureza e vivência, por ter nascido em uma cidade agraciada com o mar.
São coisas tão pequenas, que ao serem descobertas nos abrem os olhos para ver o mundo de uma forma tão diferente e absurdamente mais bonita que se soubéssemos ficaríamos atentos à esses meros detalhes…
Talvez isso seja uma divagação idiota de alguém que precisa de surpresas e descobertas para continuar vivendo e creio que esse seja o meu desejo, que diariamente encontremos novas sensações e façamos novas descobertas porque o que vale é a busca pelo incerto e o caminho que trilhamos nela.


Das minhas canções

Por você eu faria um samba, cadente e malemolente. Te daria todas as minhas notas musicais em todas as escalas possíveis e imagináveis.
Eu deixaria de cantar, aprenderia violino e te faria uma serenata.
Por você eu cantaria música contemporânea e seus compassos descompassados.
Eu faria um dó maior e um mi menor, só pra te animar, só pra te cantar, só pra você.


Hard to explain

é como se tivessem colocado uma dinamite dentro de mim, que nunca explode.
— Marguerite Duras

Não é que esteja ruim, está melhorando, gradativamente.
E é isso que me preocupa.
Medo da vida passar e a melhora não ter sido satisfatória.
Mas assim é a vida, aquela sucessão de acontecimentos que se desenrolam numa velocidade que não podemos controlar.
Deve ser isso que nos impulsiona, a busca… pelo quê? Nem sempre sei, mas ela sempre existirá…


Desabafo

Quando eu começo a juntar muitos sentimentos fico com a sensação de estar inchada, precisando que um alfinete me estoure e eu volte a esvaziar…
Lutei tanto pra que certa coisa desse certo e quando comecei a ver a luz no fim do túnel percebi que na verdade sou apenas uma menina sonhadora e medrosa, muito medrosa… Minha cabeça me manda pular do precipício e meu coração tá agindo com a razão (olha como eu sou contraditória) e me mandando ficar em terra firme. Posso me dividir ao meio?! hehehe


São Paulo

Não conhecia SP e sempre tive vontade de ir lá. Aquelas vontades que chegam e grudam de uma forma inexplicável sabe?
Depois de passagens compradas, roteiro +- organizado, hospedagem arrumada, e mapa do metrô impresso, lá fui eu viajar.
Cheguei sozinha, peguei bus service e metrô. Ah o metrô, barulhento, lotado. Tão cidade grande, tão metrópole, tão diferente da minha realidade. Sábado de manhã e as pessoas correndo no metrô pros seus compromissos, vi tanta gente diferente de uma vez que me espantei. Natal é tão província, as pessoas são tão iguais, tão mecanicamente clones uma das outras que chega a cansar.
Em São Paulo ninguém se importou que eu tava com uma mini-mala pendurada nos ombros e com cara de desesperada esperando a Mariane na saída do metrô (aliás, saída diferente da que ela estava, tivemos que marcar fora da estação. hehe), acho que ninguém se importaria se eu tivesse com uma melancia no pescoço ou com uma roupa a lá Lady Gaga, eles estão ocupados demais com suas preocupações para repararem nos outros. E isso pra mim foi bom, Natal me sufoca com essa coisa de todo mundo se conhecer e querer se meter na vida do outro.
SP é de concreto, é movimentada, barulhenta e suja, chega a feder e isso não me incomodou.
O tempo variou o fim-de-semana, choveu, fez sol e fez frio, mas resisti e não achei ruim.

Pode ser impressão de turista, mas pode ser que não.
Pra algumas pessoas São Paulo é assustadora e eu pensei que pra mim iria ser, mas surpreendentemente gostei.

Ouvi de uma pessoa muito querida que São Paulo era a minha cara.
E sim, é verdade. Apesar da chuva, do barulho, das pessoas egoístas, do caos… me senti em casa.

 

Paulista às 19h do domingo (10/04/11)
Fica, vai ter chuva!!!


Enquanto você me ignora em tons de azul,
eu me silenciosamente te mato em tons de vermelho, dentro de mim.


Diante de tudo a minha vontade é só gritar.

(…)
E dar um murro na sua cara, claro.


Não sei dizer adeus

Vai fazer dois meses que você se foi e eu ainda não consegui escrever sobre. Talvez porque eu fique enrolando ou porque eu não consegui ir me despedir de você propriamente. Ou porque no dia do seu aniversário eu não fui te visitar no hospital e deixei pra depois. Não soube por você como você tinha quebrado a perna e não tive tempo de dizer que era uma idéia imbecil a sua de tirar habilitação de moto.
Aí você se foi…
E passei as 24horas mais “borradas” da minha vida. Pude sentir como é o mundo se movendo lentamente enquanto eu queria correr e pude senti-lo avançando  rapidamente enquanto eu queria parar e respirar.
Lembrei de muitos momentos engraçados ao seu lado e de como a sua presença contagiava à todos. Apesar de não gostar da alcunha, você era a nossa Phoebe, do nosso seriado maluco, que infelizmente teve um final de temporada triste e choroso.
Procurei fotos e lembranças suas. É muita coisa, não vale a pena citar… Cheguei ao seu velório ainda desacreditada, pensava que você estaria nos esperando pra tomar um chá e que você estaria com um vestido esvoaçante, like a diva e diria “screw you guys” como você mesmo gostava de falar na hora de ir embora.
Mas aí a ficha começou a cair e era verdade, você realmente tinha ido embora e a minha vontade era te xingar, muito. “Como você fez isso com a gente?”
Foi tão doloroso…
Depois disso bebi, não sei por quantos dias, mas sei que algumas noites brindamos à você e bebemos pra conseguir aguentar a realidade dura em nossas vidas.
Mas é isso Lara, continuo sem conseguir te dizer Adeus e saiba que a sua história eu contarei por onde eu for…


Volta mundo blogueiro?!

Anda rolando por aí uma campanha chamada Volta Mundo Blogueiro que como o título mesmo diz, pede a volta do mundo blogueiro antigo onde não tínhamos looks do dia, esmalte do dia, swatche de batom e etc.
Eu hoje em dia posto sim sobre isso, no Chat Feminino, blog que me dedico exclusivamente a falar de mulherzices aleatórias  e que inclusive é bem mais acessado e alimentado que este pobre blog obscuro que de vez em quando é esquecido por esta que vos escreve, mas que nunca foi totalmente deixado de lado.

Continuo visitando os blogs que fazem post diarinho, desde os idos de 2001, quando eu comecei a blogar e particularmente a evolução deste famigerado blog para o chat-feminino foi uma questão natural, eu simplesmente não queria misturar minhas mulherzices com meus textos mais pessoais e intimistas e juntei umas meninas interessadas no mesmo assunto e o CF foi criado.
Eu acho até legal resgatar um pouco da pessoalidade nos blogs, mesmo os de moda (eu pessoalmente tento sempre ser parcial e pessoal nos meus posts no CF) mas por outro lado acho bem radical isso de que esmalte, maquiagem e moda são coisas fúteis e blá. São fúteis, mas se tem gente que gosta de ler, fazer o que né?!

Eu continuarei com o Chat-Feminino (aquele lindo) e continuarei aqui com meus devaneios, minhas meia poesias, meus textos introspectivos e meus quase nada leitores. Gosto disso, aliás 😉

Aliás, falando em blogs, blogueiras e etc, paulistanas, chego em SP dia 09 e já estamos marcando encontrinho com várias blogueiras dia 10 na liberdade! YEY!

Bjs