Doce Amargo


Larguei as armaduras, os castelos, as fortalezas e as armas.
Deixei você penetrar fundo em minh´alma tão inquieta que conhecestes todos os meus medos e inseguranças.
Conheci também aquele seu olhar profundo, segurei suas mãos calejadas, beijei seus olhos lacrimejantes e abracei seu corpo sedento de carinho.
Mas não é fácil… não é doce. Nunca é.


Detalhes

É o jeito de pegar na mão
de abraçar e de olhar fundo no olho.
Aí a gente percebe que se importa… e muito.


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Ironia é passar a vida se escondendo atrás de armaduras, castelos e fortalezas imaginárias e chegar alguém e se apaixonar exatamente por essa ilusão.


talvez o que esteja acontecendo é só um revezamento de olhares…
só o tempo fará o encontro acontecer.


Limite

Depois de muito bater com a cabeça na parede, de pensar e relutar, engolir orgulho, sentimentos e respeito próprio decidiu que o fim estava próximo. Já doía antecipadamente e iria doer muito mais, afinal, separações não são fáceis e um dos lados sempre sai magoado, mas um relacionamento não pode ser levado apenas com a barriga. O amor acabou e a obrigação de sustentar a relação estava sendo pesada demais.
Havia atingido o fundo do poço, o fim, o limite, onde não existia mais esperança, luz ou sonhos, a escuridão era assustadoramente triste.
Tornara-se apática, sem vida e vigor, apenas um corpo que fingia sorrir quando havia grito, rancor e tristeza engasgado na garganta e presos no coração.
Aquilo havia de acabar e já tinha hora e data marcadas pra isso, bastava chegar a coragem pra desfazer-se os laços definitivamente.
Nunca fora boa em desatar nós…


Das pequenas descobertas

Esses dias no twitter um amigo comentou que os pais tinham ido pela primeira vez juntos (e na vida) ao cinema, depois de 25 anos de casados e depois de interjeições fofas e comentários carinhosos sobre o ocorrido me peguei pensando o quanto a gente não dá valor à algumas coisas na vida que temos corriqueiramente e que pra outros é um mundo tão novo, diferente e inovador.
Creio que essa sensação seja a de pela primeira vez conhecer o mar, pisar na areia e sentir aquela água salgada molhando a pele seca e refrescando-a imediatamente, sensação que pra mim é quase como que intrínseca à minha realidade, natureza e vivência, por ter nascido em uma cidade agraciada com o mar.
São coisas tão pequenas, que ao serem descobertas nos abrem os olhos para ver o mundo de uma forma tão diferente e absurdamente mais bonita que se soubéssemos ficaríamos atentos à esses meros detalhes…
Talvez isso seja uma divagação idiota de alguém que precisa de surpresas e descobertas para continuar vivendo e creio que esse seja o meu desejo, que diariamente encontremos novas sensações e façamos novas descobertas porque o que vale é a busca pelo incerto e o caminho que trilhamos nela.


Das minhas canções

Por você eu faria um samba, cadente e malemolente. Te daria todas as minhas notas musicais em todas as escalas possíveis e imagináveis.
Eu deixaria de cantar, aprenderia violino e te faria uma serenata.
Por você eu cantaria música contemporânea e seus compassos descompassados.
Eu faria um dó maior e um mi menor, só pra te animar, só pra te cantar, só pra você.


Hard to explain

é como se tivessem colocado uma dinamite dentro de mim, que nunca explode.
— Marguerite Duras

Não é que esteja ruim, está melhorando, gradativamente.
E é isso que me preocupa.
Medo da vida passar e a melhora não ter sido satisfatória.
Mas assim é a vida, aquela sucessão de acontecimentos que se desenrolam numa velocidade que não podemos controlar.
Deve ser isso que nos impulsiona, a busca… pelo quê? Nem sempre sei, mas ela sempre existirá…


Desabafo

Quando eu começo a juntar muitos sentimentos fico com a sensação de estar inchada, precisando que um alfinete me estoure e eu volte a esvaziar…
Lutei tanto pra que certa coisa desse certo e quando comecei a ver a luz no fim do túnel percebi que na verdade sou apenas uma menina sonhadora e medrosa, muito medrosa… Minha cabeça me manda pular do precipício e meu coração tá agindo com a razão (olha como eu sou contraditória) e me mandando ficar em terra firme. Posso me dividir ao meio?! hehehe


São Paulo

Não conhecia SP e sempre tive vontade de ir lá. Aquelas vontades que chegam e grudam de uma forma inexplicável sabe?
Depois de passagens compradas, roteiro +- organizado, hospedagem arrumada, e mapa do metrô impresso, lá fui eu viajar.
Cheguei sozinha, peguei bus service e metrô. Ah o metrô, barulhento, lotado. Tão cidade grande, tão metrópole, tão diferente da minha realidade. Sábado de manhã e as pessoas correndo no metrô pros seus compromissos, vi tanta gente diferente de uma vez que me espantei. Natal é tão província, as pessoas são tão iguais, tão mecanicamente clones uma das outras que chega a cansar.
Em São Paulo ninguém se importou que eu tava com uma mini-mala pendurada nos ombros e com cara de desesperada esperando a Mariane na saída do metrô (aliás, saída diferente da que ela estava, tivemos que marcar fora da estação. hehe), acho que ninguém se importaria se eu tivesse com uma melancia no pescoço ou com uma roupa a lá Lady Gaga, eles estão ocupados demais com suas preocupações para repararem nos outros. E isso pra mim foi bom, Natal me sufoca com essa coisa de todo mundo se conhecer e querer se meter na vida do outro.
SP é de concreto, é movimentada, barulhenta e suja, chega a feder e isso não me incomodou.
O tempo variou o fim-de-semana, choveu, fez sol e fez frio, mas resisti e não achei ruim.

Pode ser impressão de turista, mas pode ser que não.
Pra algumas pessoas São Paulo é assustadora e eu pensei que pra mim iria ser, mas surpreendentemente gostei.

Ouvi de uma pessoa muito querida que São Paulo era a minha cara.
E sim, é verdade. Apesar da chuva, do barulho, das pessoas egoístas, do caos… me senti em casa.

 

Paulista às 19h do domingo (10/04/11)
Fica, vai ter chuva!!!


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